Liberdade Religiosa! Deus e César! (Capítulo 6)

CAPÍTULO 6

LIBERDADE RELIGIOSA! DEUS E CÉSAR!

No caso da igreja de Israel, contra os membros daquela igreja que decidiram crer em CRISTO e ensinar a verdade com respeito a ele, o princípio é tornado perfeitamente claro que nenhuma igreja tem qualquer autoridade, jurisdição ou direito em, sobre, ou a respeito de fé, ou de ensino de qualquer membro individual daquela própria igreja. Atos 4 e 5; 2 Coríntios 1:24.

Há outra passagem notável que não somente ilustra essa total ausência de autoridade, jurisdição, ou direito de qualquer igreja, mas também torna claro alguns princípios adicionais da grande verdade da liberdade religiosa.

Essa notável passagem é a que contém as palavras de JESUS quando os fariseus espiões e os herodianos chegaram a ele com sua pergunta sutil: “É lícito pagar tributo a César, ou não?” Com o dinheiro do tributo na mão, JESUS disse:

De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Disse-lhes então JESUS: Dai a César o que é de César, e a DEUS o que é de DEUS”.

Aqui estão reveladas duas pessoas—DEUS e César; dois poderes—o religioso e o civil; duas autoridades—a divina e a humana; duas jurisdições—a celestial e a terrena; e somente dois, a quem, por divina instrução, alguma coisa é devida ou deve ser submetida pelos homens.

Há uma jurisdição e uma autoridade, um poder e um direito, que pertencem a DEUS. Há também uma jurisdição, um poder e um direito que pertencem a César.

E esses são dois campos totalmente distintos. Há aquilo que é de César; e deve ser submetido a César, não a DEUS. Há aquilo que é de DEUS; e isso deve ser submetido a DEUS, não a César. Deve ser submetido a DEUS somente e diretamente. Não deve ser submetido a César, nem a DEUS por César.

Originalmente havia, e por fim haverá, somente um campo, somente uma jurisdição, somente uma autoridade, somente um poder, somente um direito – o de DEUS unicamente. I Coríntios 15:24-28.

Se o pecado nunca tivesse penetrado o mundo, não haveria outro campo, nenhuma outra jurisdição, autoridade, poder ou direito além do de DEUS somente. Mesmo quando o pecado entrou, se o evangelho tivesse sido recebido por todo indivíduo que já habitou a Terra, então nunca teria havido qualquer campo ou jurisdição, autoridade, poder ou direito outro que não o de DEUS somente. Efésios 1:7-10; Colossenses 1:20-23.

Mas nem todos receberão o evangelho; e assim nem todos reconhecerão a soberania, a jurisdição, a autoridade, o poder e o direito de DEUS. Não reconhecendo o reino, vontade, propósito e poder de DEUS, que é moral e espiritual, e que torna moral e espiritual todos que o reconhecem, esses, então, sendo pecadores, falham mesmo em ser civis. Portanto, deve haver no mundo uma jurisdição e um poder que levará aqueles a serem civis que não querem ser morais. E esse é o Estado, o poder civil, César; e esta é sua razão de existir.

Na natureza das coisas há somente os dois campos e as duas jurisdições: a moral e a civil, a espiritual e a física, a eterna e a temporal; uma de DEUS, outra de César. Há esses dois campos e jurisdições, e nenhum mais. E simplesmente não pode legitimamente haver nenhum outro. Um desses é o campo e jurisdição de DEUS. O outro é de César.

Sendo que pela palavra divina esses são os dois, e esses dois são os únicos dois que possivelmente podem existir, então segue-se exclusiva e absolutamente que para a igreja não há nem reino nem domínio, campo nem jurisdição, nem há qualquer lugar para algum.

É, pois, perfeitamente claro que sem presunção ou usurpação nenhuma igreja pode jamais ter qualquer reino ou domínio, qualquer campo ou jurisdição. A igreja não é de César; e sem a presunção e usurpação é impossível para a igreja exercer qualquer coisa da jurisdição de César. O campo e jurisdição de César—o Estado, o poder civil—é inteiramente deste mundo. A igreja com tudo que dela é, não “é deste mundo”. Portanto, é impossível que a igreja, sem presunção e usurpação, ocupe o campo de César, ou exerça qualquer jurisdição nas coisas de César, coisas essas que são inteiramente deste mundo.

Assim sendo, quanto à igreja, no que se refere a César, quanto mais é verdade da igreja no que se refere a DEUS! A igreja não é César e não pode ser César. Muito mais, a igreja não é DEUS e não pode ser DEUS. E não tem a inspiração estabelecido em termos implacáveis como “o homem do pecado”, “o filho da perdição”, “o mistério da iniqüidade”, “sentado no tempo de DEUS, querendo parecer DEUS”, essa igreja que tem imaginado ter o reino e manter o domínio, para ocupar o campo e exercer a jurisdição de DEUS? Seria necessário mais do que isso para tornar perfeitamente clara a verdade de que qualquer igreja que presuma que a si pertence ser o reino e manter domínio, ocupar o território e exercer a jurisdição de DEUS é a derradeira arrogância, presunção e usurpação?

Mas, indaga- se, não é a igreja o reino de DEUS?—Sim, é—desde que pelo termo “a igreja” se fale somente da concepção divina da igreja como expressa na Palavra inspirada—”a plenitude daquele que preenche tudo em todos”. Quando somente isso tem o significado no emprego das palavras “a igreja”, então é verdadeiramente o reino de DEUS. Mas quando por “igreja” quer-se dar o sentido de alguma concepção humana, alguma seita ou denominação religiosa, alguma “organização” terrena, então não é verdadeiro de qualquer igreja que já tenha existido neste mundo representar o reino de DEUS.

Mas suponham que tal coisa fosse realmente a igreja, e, portanto, o reino de DEUS; mesmo assim, ainda seria verdade que a fim de tal ser em verdade o reino de DEUS, poderia sê- lo tão-só com a presença de DEUS como rei nela. E onde DEUS é rei, Ele é rei e SENHOR de tudo em todos. DEUS nunca é, nem nunca pode ser, rei num reino dividido. Ele nunca compartilha o Seu reino com outro, nem poderia fazê-lo. Poderia alguém reivindicar ou deixar implícito que pode haver em verdade e de fato um reino de DEUS sem ser DEUS em verdade e de fato rei ali; e rei em tudo quanto há? Não, DEUS deve ser rei lá ou, do contrário, não é na verdade o reino de DEUS . Ele precisa ser rei e SENHOR de tudo e de todos que ali existem, senão não é em verdade e de fato o reino de DEUS. O território deve ser ocupado por Ele, a jurisdição deve ser exercida por ele, os princípios devem ser os Seus, o governo deve ser o Dele, a imagem e inscrição devem ser a Dele, e tudo isso exclusivamente, ou do contrário não é em verdade e de fato o reino de DEUS.

A alma e o espírito do homem, como o homem é no mundo, como o mundo é, em intenção e por direito é o reino de DEUS. E assim, para os ímpios e incrédulos fariseus, JESUS declarou: “o reino de DEUS está dentro de vós”. Mas na perdida humanidade esse reino é usurpado e esse campo é ocupado por outro. O usurpador está no trono, exercendo jurisdição que escraviza, rebaixa e destrói. Assim, conquanto o intento e por direito o reino é de DEUS, contudo em verdade e em fato não é de DEUS, mas de outro. Assim, que a alma perdida e escravizada somente acolha a DEUS nesse campo alienado para ocupar o Seu lugar nesse trono usurpado, e para exercer verdadeira jurisdição ali, então essa alma, espírito e vida, em verdade e fato, bem como em intento e por direito, será o reino de DEUS. E mesmo então é o reino de DEUS em verdade somente, segundo DEUS é o rei em tudo e sobre tudo para essa alma. E assim se dá com a igreja.

A Igreja de DEUS é verdadeiramente o reino de DEUS; é “a plenitude Daquele que preenche tudo em todos”: é composta somente daqueles que são dEle. E Ele é o rei e único dirigente nesse Seu reino. A jurisdição nesse campo é somente dEle; os princípios do governo, a autoridade e o poder do governo, são dEle somente, e todo cidadão do reino deve-Lhe aliança somente; e isso direto, em CRISTO, pelo ESPÍRITO SANTO. Todo habitante desse território está sujeito a Sua jurisdição somente; e isso direto, em CRISTO, pelo ESPÍRITO SANTO. Todo membro dessa igreja, que é o Seu reino, é inspirado e movido pelos princípios que são somente Seus e Dele somente; e é governado pela autoridade e poder Dele somente; e isso tudo direto Dele, mediante CRISTO pelo ESPÍRITO SANTO. Assim, todos os que são da Igreja de DEUS na verdade, que é o reino de DEUS, dedicam a DEUS tudo quanto é do coração, da alma, da mente e da força. Esses também dedicam a César as coisas que são de César—tributo, imposto, honra em seu lugar. Romanos 13:5-7.

Assim, uma vez mais é perfeitamente claro e certo que nem entre DEUS e César, nem mesmo juntamente com eles, há alguma terceira pessoa, partido, poder, campo ou jurisdição, a quem qualquer homem deva submeter alguma coisa. Não há ordem nem obrigação da parte de DEUS para submeter qualquer coisa a algum reino ou domínio, a qualquer poder ou jurisdição, a não ser de DEUS e de César—há somente dois. Não há efígie e inscrição da igreja, nem há lugar para nenhuma.

Isso significa apenas dizer que sem DEUS, e sem DEUS em Seu lugar como tudo em todos, qualquer igreja é simplesmente nada. E quando tal igreja tenta ser alguma coisa, ela é somente pior do que nada. E em qualquer dos casos ninguém pode jamais dever alguma coisa para qualquer igreja dessa espécie.

Por outro lado, quando a igreja está verdadeiramente com DEUS; e quando ele é verdadeiramente para ela tudo em todos; é verdadeiramente do reino de DEUS. E mesmo que então o reino, o domínio, a jurisdição, a autoridade e o poder são todos de DEUS e não dela; assim tudo quanto é devido ou submetido é de DEUS, não da igreja. Assim é estrita e literalmente verdadeiro que nunca em qualquer caso é algo devido ou deve ser submetido por alguém à igreja, como tal.

Assim, novamente é realçado que há somente duas pessoas, dois reinos, duas jurisdições, duas autoridades, dois poderes, aos quais alguém realmente deve ou submete algo – de DEUS e de César; esses dois e não mais, e nenhum outro.

Isso requer, portanto, que a igreja, para ser verdadeira a seu chamado e seu lugar no mundo, deve ser tão absolutamente dedicada a DEUS, tão completamente envolvida e perdida em DEUS, que somente DEUS será conhecido ou manifesto, quando quer, e no que seja ou faça.

No próprio espírito do cristianismo isso é certamente verdadeiro. Pois isso exatamente o chamado e atitude dos cristãos individuais no mundo – ser absolutamente dedicados a DEUS, tão completamente envolvidos e perdidos Nele, que somente DEUS será visto em tudo quanto são: “DEUS manifesto em carne”. E a igreja é composta somente de cristãos individuais. Também a igreja é o “corpo de CRISTO”, e CRISTO é DEUS manifesto, para o completo esvaziamento, sim, o próprio aniquilamento do eu. E esse é o mistério de DEUS.

Exatamente aqui é onde a igreja, tanto antes como depois de CRISTO, perdeu de vista o seu chamado e o seu lugar; aspirou ser algo ela mesma. Não lhe foi suficiente que DEUS fosse tudo em todos. Não foi suficiente que o reino, o domínio e a jurisdição, a autoridade e o poder, a palavra e a fé, devessem ser totalmente de DEUS e somente de DEUS. Ela aspirou o próprio reino; a um campo e jurisdição seus próprios; a autoridade que pudesse assegurar; a poder que pudesse brandir; a uma palavra que pudesse falar; e a uma “fé” que pudesse ditar.

Para satisfazer essa ambição e tornar tangível essa aspiração, rejeitou a DEUS e assumiu e usurpou o reino e o domínio, o campo e a jurisdição, a autoridade e o poder, que pertenciam tanto a DEUS quanto a César. E assim não sendo nem DEUS nem César, mas apenas um autoconstituído e auto-exaltado intermediário, sua confusão e mistura das coisas somente multiplicou a iniqüidade e aprofundou a maldição sobre o mundo.

Essa é precisamente a acusação que DEUS lança contra ela em cada era e em ambos os testamentos. A glória e a beleza, a honra e a dignidade, a autoridade e o poder, a doce influência e divina atração, que eram todos dela e que estavam em grande medida tornando -se dela, devido a sua habitação com ela e por estar com ela—todas essas coisas ela arrogou para si própria e presumiu pertencer-lhe. Ler Ezequiel 16:11-19; Romanos 1:7-9; 2 Tessalonicenses 2:2,3; Apocalipse 17:1-6.

Quando DEUS lhe deu a verdadeira e divina fé que se mencionava “por todo o mundo habitado”, sobre isso presumiu que sua fé devia ser a fé do mundo inteiro, e assim tomou sobre si o direito de atribuir e ditar “a fé” para o mundo inteiro, e para manter que “a fé” que ditava era a verdade e de origem divina.

Quando DEUS lhe deu Sua palavra em tão perfeita pureza para falar, de modo que quando ela falasse seria mesmo como a voz de DEUS, sobre isso exaltou-se com a reivindicação de que sua voz era a voz de DEUS, e que a palavra que decidia falar era a palavra de DEUS porque ela o disse.

Quando DEUS lhe deu tal perfeição de verdade que seu próprio falar dessa verdade era falar com toda autoridade, sobre isso presumiu para si que tinha autoridade de falar; e, portanto, que quando devesse falar, todos deviam obedecer porque era ela que falava.

Quando DEUS concedeu-lhe tal medida de Seu poder que mesmo os demônios se submetiam a esse poder e deviam obedecer a DEUS, sobre isso presumia que a ela pertencia o poder; e mesmo o poder para compelir todos os homens e nações em todo o mundo a se sujeitarem a ela e obedecer-lhe.

Assim, em todas as coisas, ela realmente imaginava ser algo a que se devia apegar e manter firme; a “usurpação” de “ser igual a DEUS”. Mas chegou o tempo quando toda pessoa e tudo que seria a igreja ou da igreja nunca mais devia pensar nisso como algo a que se apegar, uma usurpação sobre que pensar, o ser igual a DEUS, mas pensar somente de como a igreja se esvaziará de si mesma, fazendo-se de nenhuma reputação, e tomar sobre si a forma de servo, e humilhar-se, e tornar-se obediente até a morte, mesmo a morte de cruz; e tudo isso a fim de que DEUS possa ser tornado manifesto em Sua própria pessoa e ESPÍRITO nela; e mediante ela para o mundo.

  • chegado o tempo em que nenhuma igreja deveria chamar os homens mais para si, mas para CRISTO somente. É chegado o tempo em que a própria igreja deve estar interessada acima de tudo em tornar manifesto que não há um terceiro reino, jurisdição ou poder, mas somente dois – DEUS e César; e quando ela deve instar junto às pessoas a divina instrução: “Dai, pois, a César o que é de César, e a DEUS o que é de DEUS”.
  • chegado plenamente o tempo em que a igreja em todas as coisas deve abrigar somente o mesmo sentimento “que houve também em CRISTO JESUS”, o de não julgar “como usurpação o ser igual a DEUS”; mas esvaziar-se completamente a si própria, a fim de que DEUS possa ser revelado; o DEUS vivo e verdadeiro, e Ele sendo tudo em todos. Ele, o único Rei e SENHOR de todos, na igreja e para a igreja, e a igreja “a plenitude daquele que preenche tudo em todos”.

Por muito tempo têm o estado e as igrejas usurpado a autoridade de DEUS, e assumido o reino no lugar de DEUS. Agora é chegado plenamente o tempo em que deveria haver, sim quando será ouvido sobre a terra as grandiosas palavras das gloriosas vozes no céu: “Graças Te damos, SENHOR DEUS, Todo-poderoso, que és e que eras, porque assumiste o Teu grande poder e passaste a reinar”. Apocalipse 11:17.