Liberdade Religiosa entre indivíduos (Capítulo 5)

CAPÍTULO 5

LIBERDADE RELIGIOSA ENTRE INDIVÍDUOS

As Escrituras tornam claro que o direito divino de individualidade na religião apresenta-se supremo na presença da monarquia autocrática; na presença de qualquer decreto, estatuto, ou lei, de qualquer governo; na presença da igreja em controle do poder civil; e na presença da própria igreja, mesmo dentro da sua membresia.

Há somente outra relação possível—a do indivíduo para indivíduo. Mas quando está claro e positivo pela Palavra de DEUS que nenhuma autocracia, nenhum governo legítimo, nenhuma igreja em controle do poder civil, e nenhuma igreja dentro do círculo de sua própria membresia, tem qualquer autoridade, jurisdição, ou direito, em questões religiosas na presença do supremo e absoluto direito do indivíduo, então é certo que nenhum indivíduo pode jamais ter qualquer autoridade, jurisdição, ou direito sobre outro indivíduo em questões religiosas.

Conquanto isso seja claro por si mesmo, é bom estudar pelo menos algo das Escrituras a esse respeito, bem como sobre cada uma das outras fases desse assunto.

Fé é o dom de DEUS, e, para o indivíduo, JESUS CRISTO é tanto o Autor como o Consumador da fé. Sendo assim, jaz na natureza das coisas que nunca por qualquer possibilidade em justiça pode alguém, a não ser CRISTO, ter qualquer autoridade, jurisdição ou direito no que respeita ao exercício da fé, que é o elemento vital da religião. Sendo CRISTO tanto Autor e Consumador da fé, a Ele somente pertence a única soberania e jurisdição em todas as coisas concernentes à fé e ao exercício da mesma, que é religião.

Segundo dizem as Escrituras, “a fé que tens, tem-na para ti mesmo perante DEUS”. Romanos 14:22. Sendo a fé o dom de DEUS, e sendo CRISTO o seu Autor e Consumador, é impossível que alguém deva algo a não ser a DEUS, em CRISTO; qualquer responsabilidade em matéria de fé ou de seu exercício, que é religião. Este é o terreno e garantia de completa individualidade em religião.

Portanto, a Palavra de DEUS permanece escrita aos crentes individuais para sempre. “Acolhei ao que é débil na fé, não porém, para discutir opiniões”; não para julgar seus duvidosos pensamentos; nem para decisões de dúvida; nem para “julgá-lo”, nem para “desprezá-lo”. Romanos 14:1-3.

Seja, por favor, observado para sempre, e para sempre reconhecido, que a razão, divinamente dada, de nenhum cristão poder jamais “discutir” ou “decidir por”, ou “julgar”, ou “desprezar” outrem é que “DEUS o acolheu”.

DEUS o acolheu”, portanto, “acolhei” também a este.

DEUS o acolheu” com base em sua fé, portanto “acolhei” também a este por sua fé.

Conquanto seja ele “débil na fé”, DEUS “o acolheu”; portanto, ainda que ele seja “débil na fé”, a orientação é “acolhei-o”.

Conquanto seja ele “débil na fé”, é “a fé” em que ele é fraco . E nessa fé e por essa fé ele é salvo. Essa fé é o dom de DEUS, dado para salvar a alma; e quem quer que esteja nessa fé, conquanto seja débil, tem a salvação de DEUS que é pela fé. Dessa fé, JESUS CRISTO é o Autor e Consumador, e quem quer que esteja nessa fé tem a CRISTO operando nele para concluir a bendita obra dessa fé para a salvação eterna da alma. Essa fé o indivíduo deve manter para com DEUS, que foi quem a concedeu, e em CRISTO, o seu Autor e Consumador. A fé, sendo dom de DEUS mediante CRISTO, que a possui, tem-na somente para com DEUS em CRISTO; e nessa fé sua responsabilidade é unicamente para com DEUS em CRISTO.

Portanto, “acolhei o que é débil na fé… porque DEUS o acolheu”. Sendo DEUS o que concede “a fé” mediante CRISTO, o Autor e Consumador da Fé, a responsabilidade de cada um “na fé” é para com DEUS em CRISTO. Assim, “acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões”, nem para desprezá-lo, ou julgá-lo, pois sendo que DEUS o recebeu em fé, e sendo que em fé ele é somente responsável perante DEUS, “quem és tu que julgas o servo alheio?” Verso 4. Isso é impossível em justiça conquanto seja ele o servo de um homem; quanto mais, quando é servo de DEUS, recebido e aceito por DEUS “na fé”.

E quando DEUS sustenta e faz prevalecer “na fé” aquele que eu e você não recebemos, a quem eu e você não susteremos nem tentaremos fazer suster-se, então esse é inteiramente seguro com DEUS “na fé”. E conquanto seja ele débil na fé”, DEUS é capaz de sustentá- lo e fazê-lo estar “em pé” por Ele mesmo, que o acolheu “na fé” de que Ele é o doador, e CRISTO, o Autor e Consumador. E quanto a mim e a vós, em toda essa questão, “aquele que está em pé, cuide que não caia”.

Outro item que demonstra a perfeita individualidade do homem em coisas de caráter religioso segue-se imediatamente às palavra já citadas: “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. Verso 5.

Esta passagem não diz que todos os dias são iguais; mas somente que alguns fazem “diferença entre dia e dia”. As Escrituras são perfeitamente claras sobre a verdade de que todos os dias não são iguais; que há um dia que DEUS tornou peculiarmente seu, e para o eterno bem do homem ele o pôs à parte dos demais dias. Esse dia é “o sábado do SENHOR teu DEUS”.

Conquanto isso seja verdadeiro pela Palavra de DEUS, no que se refere à observância ou não observância desse dia, a Palavra do SENHOR declara explicitamente: “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. Nessa declaração ele uma vez mais confirma a perfeita supremacia e absoluto direito de individualidade na religião.

E, a propósito, este item toca uma questão que está em evidência nestes dias: a questão da compulsória observância do dia de repouso. Mas em todas as  coisas referentes à observância ou consideração de um dia, a Palavra de DEUS a todas as pessoas é: “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia, para o SENHOR o faz”. Verso 6.

Qualquer dia que não seja considerado ou observado para o SENHOR não é verdadeiramente considerado ou observado de modo algum; pois daí nada há nele verdadeiramente para considerar. DEUS é quem escolheu, distinguiu e pôs à parte o dia. A observância do dia pertence, pois, a DEUS; e fica somente entre DEUS e o indivíduo em fé e consciência. Portanto, qualquer observância de um dia de repouso imposto por lei, por estatuto, por polícia, por tribunal, por perseguição, é, em primeiro lugar, uma invasão direta da província de DEUS e do campo da fé e consciência do indivíduo; e, em segunda instância, não é nem mesmo a observância do dia, e nunca poder ser, porque não é de persuasão na mente.

DEUS designou seu próprio dia escolhido e santificado; isso é verdade. Ele apela a todas as pessoas para o observarem, também é verdade. Mas na observância ou consideração desse dia, a Palavra de DEUS explicitamente declara que é questão inteiramente de âmbito individual: “Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. Quando qualquer homem não é plenamente persuadido em sua mente, e, portanto, não observa o dia do SENHOR, sua responsabilidade por isso é para com DEUS somente, e não para com qualquer homem, nem para qualquer grupo de homens, nem para qualquer lei, ou governo, ou poder sobre a terra.

Seguindo-se a este item é feito um apelo em favor do reconhecimento da perfeita individualidade em religião—isto em vista do terrível fato do julgamento de CRISTO e de DEUS. Esse apelo assim se expressa: “Tu, porém, por que julgas a teu irmão? e tu, por que desprezas o teu? pois todos compareceremos perante o tribunal de DEUS. Como está escrito: Por Minha vida, diz o SENHOR, diante de Mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores DEUS”. Versos 10, 11.

Cada um de nós deve comparecer perante o trono de julgamento de CRISTO e de DEUS, para ali ser julgado por ele . Como, então, pode ser possível em justiça que um de nós possa ser chamado para ser julgado por outrem, ou todos os outros, nas coisas atinentes a religião? Isto é, nas coisas em que devemos responder perante o tribunal de CRISTO.

Não, não. “Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas ao próximo?” Tiago 4:11.

Assim, o fato de dever haver um tribunal de CRISTO e de DEUS perante o qual todos devemos comparecer, cada um para responder pelos “atos cometidos no corpo” – é a mais poderosa garantia de perfeita individualidade em religião, e um dos mais fortes apelos possíveis para o seu reconhecimento por toda alma, sempre.

Finalmente, o pensamento integral e verdade de perfeita individualidade na religião é esplendidamente sumariado, e poderosamente realçado, bem como claramente expresso, na inspirada conclusão:

Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a DEUS”.